dezembro 30, 2003

Espera do teu filho o mesmo que fizeste a teu pai. Tales de Mileto



Leia aqui as instruções.
É um desafio à criatividade.
Escreva o que lhe apetecer, e divirta-se :-) Pai da Inês.

Publicado por Provérbios em dezembro 30, 2003 06:12 PM
Comentários

É impossível não evocar a parábola do filho que seguindo a tradição, levou seupai para morrer num monte deixando-lhe apenas um cobertor. Foi seu filho que voltou atrás e rasgando metade do cobertor explicou que era para guardar pois daí a uns anos ele iria também fazer o mesmo. Só nesse momento, o filho percebeu a injustiça que estva prestes a cometer e levou seu pai de novo para sua casa. Já agora, aproveito para dizer que AMO MUITO A MINHA MÃE.

Afixado por: Gotinha em dezembro 30, 2003 06:26 PM

Tenho que vos deixar esta história que me dá sempre vontade de chorar.... enquadra-se neste desafio.. perdoem-me por ser tão grande...

A TIGELA DE MADEIRA
Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trémulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trémulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa.

O filho e a nora irritaram-se com a confusão.
- "Precisamos tomar uma providência com respeito ao pai", disse o filho.
- "Já tivemos suficiente leite derramado, barulho a comer com a boca aberta e comida pelo chão."

Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos. Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram admoestações ásperas quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão.

O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio.
Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira.
Ele perguntou delicadamente à criança:
- "O que você está fazendo?"
O menino respondeu docemente:
- "Oh, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu crescer." disse o garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho.

Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos.
Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família. Dali em diante e até o final de seus dias ele comeu todas as refeições com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa se sujava.

Afixado por: Gotinha em dezembro 30, 2003 06:29 PM

Olá a todos.
Vim agora aqui um bocadinho enquanto o meu avô está a dormir. À bocado nem se podia entrar na sala com os preparativos para o FlashBlog que ele vai dar a partir da meia-noite. Quase vinte e quatro horas seguidas à frente dum computador é obra. Por isso, este desafio ajusta-se. Só que ao contrário.
"Espera do meu avô o que não conseguiste fazer ao teu neto". (hihi...)
Bjs

Afixado por: Thita em dezembro 30, 2003 06:30 PM

Agora mais a sério. Esta história é linda, Gotinha. Já a copiei e vou pô-la no meu blog se não te importares.
Bjs

Afixado por: Thita em dezembro 30, 2003 06:43 PM

Thita, importo-me e muito... teremos que chegar a acordo no que diz respeito à avultada quantia que terás de me pagar.... o meu advogado contacta o teu, ok??!

Afixado por: Gotinha em dezembro 30, 2003 07:35 PM

Isto não pode ser discutido de mulher para mulher?

Afixado por: Thita em dezembro 30, 2003 09:51 PM

Ok! Onde e quando?!? Podes escolher tu as armas!

Afixado por: Gotinha em dezembro 30, 2003 10:47 PM

Uma boa história, Gotinha.

Difícil e trágica a vida dos nossos velhos; o fim das suas vidas quase sempre com tão pouca dignidade que nos envergonha a todos...

Filho és, pai serás. Assim como fizeres, assim acharás. E, depois, a estrutura celular, que é a família, tão desestruturada e tão desapoiada, sem alternativas por falta de meios, excepto para uma escassa mão cheia de priviligiados...

Difícil e trágica a vida dos nossos velhos...

Afixado por: OrCa em dezembro 30, 2003 10:56 PM